Quem pesquisa o custo de importar um carro americano costuma somar Imposto de Importação, IPI e ICMS — e para por aí. O problema é que existe um segundo grupo de despesas, menos visíveis, que costuma surpreender quem recebe a primeira fatura do despachante. Essas cobranças são legítimas, obrigatórias e chegam a representar 15% a 25% do custo total do processo — o suficiente para desequilibrar um orçamento que parecia fechado.
AFRMM — a taxa federal que poucos calculam
O Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) é uma contribuição federal cobrada sobre o valor do frete marítimo internacional. A alíquota para cargas em container é de 25% sobre o frete. Se o frete do seu carro custou US$ 2.000, o AFRMM é mais US$ 500 — direto.
Poucos anúncios e simuladores mencionam o AFRMM porque ele não é exatamente um imposto de importação — é uma contribuição parafiscal gerenciada pelo FRMM (Fundo de Marinha Mercante). Mas ele é obrigatório e compõe a base de cálculo do ICMS, o que amplia ainda mais o impacto.
Capatazia, armazenagem e THC
Quando o container chega ao porto brasileiro, começa um relógio: cada dia de armazenagem é cobrado. Além disso, há taxas de movimentação do container (capatazia) e de manuseio no terminal (THC — Terminal Handling Charge). Juntos, esses itens costumam ficar entre R$ 3.000 e R$ 8.000 dependendo do porto, do prazo até o desembaraço e do tamanho do container.
A variável mais importante aqui é o tempo: quanto mais demorar o desembaraço aduaneiro, maior a conta de armazenagem. Por isso, ter toda a documentação em ordem antes da chegada do navio não é apenas burocracia — é economia direta.
Honorários do despachante aduaneiro
O despachante aduaneiro é obrigatório para importações de pessoa física no Brasil. Ele representa o importador perante a Receita Federal, opera no Siscomex e é o responsável pelo desembaraço do veículo. Os honorários variam conforme a complexidade e o despachante, mas a faixa típica para importação de veículo fica entre R$ 7.000 e R$ 15.000. Importadoras especializadas geralmente incluem esse serviço no pacote — ao comparar preços, é importante verificar o que está incluso.
Frete interno: do porto até você
Após o desembaraço, o carro precisa sair do porto e chegar até o destino final — e isso custa. O transporte rodoviário de um veículo de Santos para São Paulo capital, por exemplo, pode sair por R$ 800 a R$ 2.000 dependendo da transportadora e da urgência. Para Minas Gerais, Rio Grande do Sul ou Nordeste, o valor sobe proporcionalmente.
O efeito cascata: quando os custos encarecem os impostos
O ICMS, por ser calculado "por dentro" (método de cálculo que inclui o próprio tributo na base), usa como base CIF + II + IPI + PIS/COFINS + despesas de desembaraço (capatazia, AFRMM, honorários). Isso significa que cada despesa operacional que você adiciona ao processo eleva automaticamente a base do ICMS — que por sua vez eleva o imposto. Não é um custo linear: um item de R$ 5.000 nas despesas portuárias pode custar efetivamente R$ 6.000–7.000 no total, dependendo da alíquota de ICMS do seu estado.
A calculadora do carroimportado.com já considera todos esses itens no custo total — AFRMM, capatazia, honorários estimados de despachante e frete marítimo — para que o número que você vê seja o mais próximo possível do que vai pagar de verdade.
Fontes: Enviando Meu Carro · Garagem 360 · Guelcos
Imagem: Porto de Santos — JorgeRioBRAZIL / Jorge Andrade, CC BY 2.0
